Sequencia didática - Tarsila do Amaral

Sequencia didática - Tarsila do Amaral
SEQUENCIA DIDÁTICA TARSILA DO AMARAL -Releitura - 2010

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Fábula: A ONÇA E O BODE


            CERTO  DIA,  O  BODE  RESOLVEU  FAZER  UMA  CASA.
            ESCOLHEU  O  TERRENO,  LIMPOU  O  MATO,  TIROU  AS PEDRAS  E  DISSE:
            __AMANHà EU  VOLTO.
            A  ONÇA,  PASSANDO  POR  ALI,  PENSOU:
            __QUE  ÓTIMO  LUGAR  PARA  FAZER  MINHA  CASA.
            PEGOU  UMAS  TÁBUAS, CERCOU  O  TERRENO  E  DISSE:
            __AMANHà EU  VOLTO.
            NO  DIA  SEGUINTE  O  BODE  CHEGOU  E  DISSE:
            __AH,  DEUS  ESTÁ  ME  AJUDANDO!
            E,  ARRANJANDO  UNS  TRONCOS  DE  ÁRVORE,  LEVANTOU  AS  PAREDES  E  FOI  EMBORA.
            QUANDO  A  ONÇA  CHEGOU,  FOI  LOGO  PENSANDO:
            __AH,  DEUS  ESTÁ  ME  AJUDANDO!
            TROUXE  PALHA  E  SAPÊ  PARA  FAZER  O  TELHADO, DEPOIS  FOI  EMBORA.
            NO  OUTRO  DIA  O  BODE  DISSE:
            __AH,  DEUS  ESTÁ  ME  AJUDANDO!
            BOTOU  AS  PORTAS  E  RESOLVEU:
            __AMANHà   POSSO  ME  MUDAR  PARA  CÁ.
            E  FOI  EMBORA
            AO  VER  AS  PORTAS  NO  LUGAR,  A  ONÇA  PENSOU:
            __AH,  DEUS  ESTÁ  ME  AJUDANDO.
            TRATOU  DE  COLOCAR  AS  JANELAS  E  DECIDIU:
            __AMANHà MESMO  VOU  ME  MUDAR.
            O  BODE  CHEGOU  PRIMEIRO. ENTROU  NA  CASA E, DE REPENTE,  QUEM  APARECE?  A  ONÇA.
           __O  QUE  VOCÊ  FAZ  NA  MINHA  CASA?
           __SUA  CASA?  ESTA  CASA  É  MINHA – DISSE  A  ONÇA.
                                                                  
           MORAL DA HISTÓRIA: QUANDO  A  ESMOLA  É  GRANDE  O  SANTO  DESCONFIA!
                                                            ADAPTAÇÃO  DO  FOLCLORE

Jogral da pontuação - Graça Batituci

Sou um pinguinho legal,
Dou fim a um pensamento.
Meu nome é ponto final.
Estão me chamando... um momento.

Sou muito curioso.
Tudo, tudo, quero saber.
Por isso sempre apareço,
No fim de perguntas, querem ver?

Admiração, medo e espanto.
Alegria, dor e surpresa.
Sou o ponto de exclamação.
E na frase fico uma beleza!

Se alguém me perguntar.
Quem é você, seu Zezinho?
Eu sou os dois pontos:
Mostro que a fala está a caminho.

Sou um tracinho pequeno,
usado sempre em diálogos.
Indicar a fala de alguém
                        É bom, e eu não me calo.         

FÁBULA: O rato do campo e o rato da cidade



          Certo ratinho da cidade resolveu banquetear um compadre que morava no mato. E convidou-o para um festim, marcando hora e lugar.
Veio o rato da roça, e logo de entrada muito admirou do luxo de seu amigo. A mesa era um tapete oriental, e os manjares eram coisa papa-fina: queijo do reino, presunto, pão de ló, mãe-benta. Tudo isso dentro de um salão cheio de quadros, estatuetas e grandes espelhos de moldura dourada.
Puseram-se a comer.
No melhor da festa, porém, ouviu-se um rumor na porta. Incontinente, o rato da cidade fugiu para o seu buraco, deixando o convidado de boca aberta.
Não era nada, e o rato fujão voltou e prosseguiu o jantar. Mas ressabiado, de orelha em pé, atento aos mínimos rumores da casa.
Daí a pouco, novo barulhinho na porta e nova fugida do ratinho.
O compadre da roça franziu o nariz.
__Sabe do que mais? Vou-me embora. Isto aqui é muito bom e bonito, mas não me serve. Muito melhor roer o meu grão de milho no sossego da minha toca do que me fartar de gulodices caras com o coração aos pinotes. Até logo.

Moral: Mais vale uma vida modesta com paz e sossego que todo o luxo do mundo com perigos e preocupações.

Monteiro Lobato

FÁBULA: O leão e o rato (primeira versão)


         Uma vez, quando o leão estava dormindo, um ratinho pôs-se a passear em suas costas. Isso logo acordou o leão, que segurou o bichinho com sua enorme pata e abriu a boca enorme para engoli-lo.
         ___  Perdão, rei dos animais -  gritou o ratinho. - Deixe-me ir, não o incomodarei mais. Quem sabe se um dia não conseguirei pagar-lhe este favor?
         O leão riu-se muito ao pensar na possibilidade de o ratinho ajudá-lo em alguma coisa. Afinal, soltou-o.
         Algum tempo depois, o leão caiu numa armadilha. Os caçadores, que desejavam levá-lo vivo ao rei, amarraram-no numa árvore, enquanto iam providenciar uma carroça para transportá-lo. Nesse momento, apareceu o ratinho.
         Vendo o apuro em que se encontrava o leão, num instante roeu as cordas que o prendiam à árvore.
          ___ Eu não disse que talvez um dia pudesse ajudá-lo? - lembrou o rato.

Moral da história: Uma boa ação paga outra.
Adaptado de Fábulas de Esopo


A CASA - ELIAS JOSÉ

ESSA CASA É DE CACO
QUEM MORA NELA É O MACACO
ESSA CASA TÃO BONITA.
QUEM MORA NELA É A CABRITA.                                                 
ESSA CASA DE CIMENTO                                                                                         
QUEM MORA NELA É O JUMENTO.
ESSA CASA DE TELHA,
QUEM MORA NELA É A ABELHA.
ESSA CASA DE LATA,
 QUEM MORA É A BARATA.
ESSA CASA É ELEGANTE,
QUEM MORA NELA É O ELEFANTE.
E DESCOBRI DE REPENTE,
QUE NÃO FALEI EM CASA DE GENTE.

A FESTA - Ieda Maria Kucera e Marília M. O. Silva

             
NA FESTA DA FLORESTA
FOI TODA A BICHARADA:
A BORBOLETA XERETA,
A MINHOCA DONDOCA,
A PERERECA SAPECA,
O ELEFANTE ELEGANTE,
O MACACO LEVADO,
O TIGRE COMILÃO.
MAS A FESTA, VEJAM SÓ!
ACABOU EM CONFUSÃO.
NA LISTA DOS CONVIDADOS, NÃO ESTAVA O REI LEÃO,
QUE FICOU MUITO ZANGADO,
RUGINDO FEITO UM TROVÃO.

O ÚLTIMO ANDAR - CECÍLIA MEIRELES


                                       
NO ÚLTIMO ANDAR É MAIS BONITO:
DO ÚLTIMO ANDAR SE VÊ O MAR.
É LÁ QUE EU QUERO MORAR.

O ÚLTIMO ANDAR É MUITO LONGE:
CUSTA-SE MUITO A CHEGAR.
MAS É LA QUE EU QUERO MORAR.

TODO OCÉU FICA A NOITE INTEIRA
SOBRE O ÚLTIMO ANDAR.
É LÁ QUE EU QUERO MORAR.

QUANDO FAZ LUA, NO TERRAÇO
FICA TODO OLUAR.
MAS É LA QUE EU QUERO MORAR.

OS PASSARINHOS LÁ SE ESCONDEM,
PARA NINGUÉM OS MALTRATAR:
NO ÚLTIMO ANDAR.

DE LÁ SE AVISTA O MUNDO INTEIRO:
TUDO PARECE PERTO, NO AR.
É LÁ QUE EU QUERO MORAR:

NO ÚLTIMO ANDAR.

OS CARTEIROS - ROSEANA MURRAY

                                           
ABRIR UMA CARTA,
O CORAÇÃO BATENDO,
É PRECIOSO RITUAL.
O QUE TERÁ DENTRO?
UM CONVITE, UM AVISO,
UMA PALAVRA DE AMOR
QUE ATRAVESSOU OCEANOS
PARA SUSSURRAR EM MEU OUVIDO?

SÃO COMO CONCHAS AS CARTAS,
GUARDAM O BARRULHO DO MAR,
O AR DAS MONTANHAS.
PARA MIM OS CARTEIROS
SÃO QUASE SAGRADOS,
UNICÓRINIOS OU MAGOS
NO MEIO DESSA VIDA BARULHENTA.

AS MENINAS - CECÍLIA MEIRELES

                                      
ARABELA
ABRIA A JANELA

CAROLINA
ERGUIA A CORTINA

E MARIA
OLHAVA E SORRIA:
“BOM DIA!”

ARABELA
FOI SEMPRE A MAIS BELA.

CAROLINA,
A MAIS SÁBIA MENINA.

E MARIA
APENAS SORRIA:
“BOM DIA!”

PENSAREMOS EM CADA MENINA
QUE VIVIA NAQUELA JANELA;
UMA QUE CHAMAVA ARABELA,
OUTRA QUE SE CHAMOU CAROLINA.

MAS NOSSA PROFUNDA SAUDADE
É MARIA, MARIA, MARIA,
QUE DIZIA COM VOZ DE AMIZADE:
“BOM DIA!”

AMIGOS DO PEITO - CLÁUDIO THEBAS

                                                                  
TODO DIA EU VOLTO DA ESCOLA
COM A ANA LÚCIA DA ESQUINA.
DA ESQUINA NÃO É SOBRENOME,
É ENDEREÇO DA MENINA.

O IRMÃO DELA É MAIS VELHO
E MESMO ASSIM É MEU AMIGO.
SEMPRE DEPOIS DO ALMOÇO,
ELE JOGA BOLA COMIGO.

JÁ O CARLOS ALBERTO,  DO LADO,
(DO LADO NÃO É NOME TAMBÉM)
TEM UMA BICICLETA LEGAL,
MAS NÃO EMPRESTA PRA NINGUÉM.

O BAIRRO ONDE EU MORO É ASSIM,
TEM GENTE DE TUDO QUE É JEITO.
PESSOAS QUE SÃO CHATAS,
E UM MONTE DE AMIGOS DO PEITO:

O BRUNO DO PRÉDIO DA FRENTE,
O RICARDO DO SÉTIMO ANDAR,
O IRMÃO DA LÚCIA DA ESQUINA,
O FILHO DO DONO DO BAR.

O NOME COMPLETO DELES
EU NUNCA SEI, OU ESQUEÇO.
AMIGO NÃO TEM SOBRENOME:
AMIGO TEM ENDEREÇO.

LILIBEL - LÚCIA TULCHINSKI

ERA UMA VEZ UMA GAROTA CHAMADA LILIBEL
E PARA COMEÇAR A RIMAR, EU VOU DIZER
QUE ELA TINHA OLHOS COR DE MEL.
DESENHAR BEM, PINTAR SEM DEIXAR VAZAR, CANTAR SEM DESAFINAR
NADA DISSO ELA FAZIA.
SEU TERROR ERAM AS AULAS DE GEOMETRIA.
DIZEM QUE ELA ERA UM GARRANCHO SEM FIM.
ÀS VEZES, TINHA NOTA VERMELHA NO BOLETIM.
ERA UMA MENINA COMPORTADA.
ALGUNS DIZIAM QUE ERA MUITO CALADA.
TINHA MEDO DA ÁGUA, DOS MENINOS E DO PROFESSOR
DE MATEMÁTICA.
AMAVA A PROFESSORA DE PORTUGUÊS, UMA SENHORA
MUITO SIMPÁTICA.
LILIBEL ACHAVA QUE ERA MUITO FEIA, MUITO BRANCA E BAIXINHA.
NA HORA DO RECREIO, SE NÃO VIESSEM CHAMÁ-LA
PARA BRINCAR ELA FICAVA SOZINHA.
APARELHO NOS DENTES FOI OBRIGADA A USAR.
SORRIA AMARELO PRATEADO QUANDO LHE PERGUNTAVAM
COMO FARIA PARA BEIJAR.
HAVIA UM GAROTO, O GUTO, QUE ELA ACHAVA LINDO.
MAS ELE NÃO LHE DAVA BOLA, ESTIVESSE INDO OU VINDO.
O SONHO DE LILIBEL ERA SER UMA GAROTA LINDA DE DOER.
DIA E NOITE ELA PERGUNTAVA: QUANDO ISSO VAI ACONTECER?
O TEMPO PASSOU E AS COISAS COMEÇARAM A MUDAR.
É QUE LILIBEL DESCOBRIU QUE TODO MUNDO NA CLASSE
TAMBÉM TINHA DO QUE SE QUEIXAR.
A SUA MELHOR AMIGA TINHA MEDO DE TROVÃO.
O GAROTO MAIS SABIDO FICAVA HORRÍVEL DE CALÇÃO.
A COLEGA DA CARTEIRA AO LADO ERA MEIO GORDINHA.
E O GAROTO DA DE TRÁS, UM TAMPINHA.
LILIBEL NÃO PRECISOU NEM DE FADA MADRINHA.
DEPOIS DISSO, SEMPRE QUE OLHAVA O ESPELHO, ELA
DIZIA:
EU SOU UMA GATINHA!

     O ESTADO DE S. PAULO, 07/10/95. ESTADINHO.




TEXTO DE FRUIÇÃO: A disciplina do amor


Foi na França, durante a segunda grande guerra. Um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa.
A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava a sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram -se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, “mas quem esse cachorro está esperando?”... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho sempre voltado para “aquela” direção.
(TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p. 99-100)

terça-feira, 10 de julho de 2012

TELA: Sem título - ALFREDO VOLPI

TELA: Barco com bandeirinhas e pássaros - ALFREDO VOLPI

JOGRAL: Poema “Bons amigos”

ESCOLA ESTADUAL ROSALVO RIBEIRO
5º ano A       2010      Professoras Nadja e Marli

Poema “Bons amigos” de Machado de Assis

BONS AMIGOS
(1) Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
(2) Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
(T) Amigo a gente sente!

(1) Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
(2) Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
(T) Amigo a gente entende!

(1) Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
(2) Porque amigo sofre e chora.
(T) Amigo não tem hora pra consolar!

(1) Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
(2) Porque amigo é a direção.
(T) Amigo é a base quando falta o chão!

(1) Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
(2) Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
(T) Ter amigos é a melhor cumplicidade!

(2) Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
(T) Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

PEÇA TEATRAL: QUEM PODE SER MEU AMIGO?

Escola Estadual Rosalvo Ribeiro

5º ano A            2010                 Professoras Nadja e Marli

 

PERSONAGENS:

·        John
·        Noiva
·        Amigos: três meninos e duas meninas
·        Família: um menino (pai) e duas meninas( mãe e irmã)
·        Rex – cachorro: um menino com máscara de cachorro
·        Narrador(a): menino ou menina

CENÁRIOS:
1-    Festa ( dançando)
2-    Frente da casa de John
3-    Ponto de ônibus (poste)

CENAS: Enquanto a narração se desenvolve as cenas em mímicas são apresentadas.

NARRADOR(A):


Esta história diz que aconteceu na Inglaterra antes da 2ª Guerra Mundial. Um rapaz que vamos chamá-lo de John tinha muitos amigos, uma noiva e um cachorro que vamos chamá-lo de Rex. Todo o dia John saía bem cedinho para o trabalho e era acompanhado por seu cachorro até o ponto de ônibus. Rex ficava com seu dono até a partida do ônibus.
No final, da tarde Rex voltava ao ponto de ônibus esperava John e o acompanhava até a sua casa. Isto ele fazia todos os dias. De manhã o acompanhava até o ponto de ônibus e no final do dia lá estava ele aguardando o seu dono.
Nos finais de semana, John se divertia com os amigos e a noiva, indo a festas, cinemas, lanchonetes e quando chegava à segunda-feira começava a mesma rotina: Rex o acompanhava até o ponto de ônibus o esperava no final da tarde.
Os tempos mudaram, a Inglaterra entrou em guerra. Certo dia, John recebeu um telegrama: teria que ir lutar na guerra defender seu país. Deixou sua família, seus amigos, sua noiva e Rex, seu fiel companheiro e foi para frente de batalha. A guerra mudou a vida das pessoas na Inglaterra, pois todos tinham medo de saírem de casa e serem atingidos por um ataque inimigo. Mas para Rex nada mudou, sua rotina continuava a mesma: ao final da tarde lá estava ele a esperar por seu dono.
De repente a família de John recebeu um triste notícia em um telegrama: John morreu atingido pelo exército inimigo. Quanta tristeza para todos que o amavam: a família, os amigos e sua noiva. E o tempo passou e todos voltaram a sua rotina: os amigos fizeram novas amizades, a noiva conheceu outro rapaz e casou-se, e quanto a Rex? Rex continuou em sua rotina: de manhã ia ao ponto de ônibus, à tarde voltava a esperar seu dono, só saía quando percebia que ele não tinha retornado mais uma vez.


QUESTIONAMENTO:
·        O que aprendemos?
·        Quem são nossos companheiros leais?
·        Sempre são pessoas?
·        Como devemos tratá-los e retribuir sua fidelidade?

sábado, 7 de julho de 2012

TEXTO DE FRUIÇÃO - O par de sapatos

Pierre Gripari

Era uma vez dois sapatos casados, que formavam um par. O sapato direito, que era homem, chamava-se Nicolau; o esquerdo, que era mulher, chamava-se Tina.
Os dois moravam numa caixa de papelão muito bonita, enrolados em papel de seda. Sentiam-se muito felizes e tinha a esperança de que aquilo durasse para sempre.
Mas certa manhã uma vendedora tirou o par de sapatos da caixa, para uma senhora experimentar. A mulher os calçou, deu alguns passos, achou que estavam ótimos e disse:
___ Vou levar esses.
___ Quer que eu embrulhe? Perguntou a vendedora.
___ Não precisa – disse a mulher – vou calçada com eles.
Ela pagou e saiu, com os sapatos novos no pé. Foi assim que Nicolau e Tina andaram um dia inteiro sem se verem. Só foram se encontrar à noite, dentro de um armário escuro.
___ É você Tina?
___ Sou eu, sim, Nicolau.
___ Ah, que felicidades! Pensei que tivesse perdido você!
___ Eu também. Mas onde você estava?
___ Eu? No pé direito.
___ Agora eu estou entendendo. Sempre que você estava na frente, eu estava atrás, e quando você estava atrás eu estava na frente. Por isso a gente não conseguia se ver.
___ E vai ser essa vida todos os dias? – Perguntou Tina.
___ Acho que sim!
___ Mas que horrível! Ficar o dia inteiro sem você, meu amor! Não vou me acostumar nunca, Nicolau!
___ Tive uma ideia – Disse Nicolau. _ Já que eu estou sempre à direita e você sempre à esquerda, quando eu for para frente vou me desviar um pouquinho para seu lado. Assim a gente se vê. Combinado?
___ Combinado!
E assim fez Nicolau. No dia seguinte a dona dos sapatos não conseguia dar três passos sem que o pé direito se enrolasse, e plaf! Lá ia ela para o chão.
Naquele mesmo dia ela foi consultar o médico, muito preocupada.
___ Doutor, não sei o que tenho. Fico toda hora tropeçando em mim mesma.
___ Tropeçando na senhora mesma?
___ Isso mesmo doutor! A cada passo, meu pé direito se enrosca no me salto esquerdo e eu tombo!
___ Isso é muito grave – disse o médico. – Se continuar assim, vamos ter que cortar seu pé direito. Aqui está a receita: são dez mil francos de remédio. A senhora me deve dois mil francos de consulta, e volte amanhã.
Aquela noite, dentro do armário, a Tina perguntou ao Nicolau:
___ Você ouviu o que o médico disse?
___ Ouvi, sim.
___ Que horror! Se cortarem o pé direito da mulher, ela vai jogar você no lixo e nós vamos ficar separados para sempre! Temos que fazer alguma coisa!
___ Mas o quê?
___ Tive uma ideia: já que eu fico à esquerda, amanhã sou eu que vou desviar um pouco para a direita cada vez que der um passo à frente. Combinado?
E assim fez a Tina. Então durante todo o segundo dia, o pé esquerdo é que se enroscava toda hora no salto direito e plaf! A coitada da mulher ia para o chão. Cada vez mais preocupada, ela voltou ao médico.
___ Doutor, estou cada vez pior. Agora é o pé esquerdo que se enrosca no salto direito.
___ Cada vez mais grave – disse o médico. _ Se continuar assim, vamos ter que cortar os dois pés! Aqui está mais uma receita. São vinte francos de remédio. A senhora me deve mil francos de consulta, e não se esqueça de voltar amanhã.
Aquela noite Nicolau perguntou a Tina:
___ Você ouviu?
___ Ouvi.
___ E se cortaremos dois pés da mulher, o que será de nós?
___ Não quero nem pensa!
___ Mas eu te amo, Tina!
___ Eu também te amo, Nicolau!
___ Não quero me separar de você, nunca!
___ Eu também não, nunca!
Estavam ali, conversando no escuro, sem saber que a dona deles estava andando no corredor de lá para cá, de chinelo, sem conseguir dormir, por causa do que o médico tinha dito. Ao passar pela porta do armário ela ouviu tudo e, como era muito inteligente, entendeu tudo.
___ Então é isso – pensou a mulher. – Não estou doente. Meus sapatos é que se amam! Que coisa linda!
Ela jogou no lixo os trinta mil francos de remédio que tinha comprado e, no dia seguinte, disse a faxineira:
___ Está vendo este par de sapatos? Não vou mais usá-los, mas quero que fique com ele. Quero que os dois pés estejam sempre bem limpos, engraxados e lustrosos. E lembre-se de uma coisa: nunca separe um do outro!
Assim que ficou sozinha, a faxineira pensou:
___ A patroa está louca! Guardar esses sapatos sem usar! Daqui uns quinze dias, quando ela tiver esquecido, vou pegá-los pra mim!
Quinze dias depois, ela pegou os sapatos e os calço, mas logo começou a tropeçar. Um dia, na escada, quando ela estava descendo com a lata de lixo, Nicolau e Tina resolveram se beijar e badabum! Vlang! Bong! A faxineira caiu sentada, com um monte de lixo na cabeça e uma casca de batata pendurada na testa, como se fosse um cacho de cabelo.
___ Esses sapatos são mágicos – ela pensou. – Não vou mais calçá-los. Vou dá-los para minha sobrinha, que é manca!
E foi o que ela fez. A sobrinha, que era manca mesma, passava o dia todo sentada, com os pés juntos. Quando por acaso andava um pouco, era devagar que nem dava pra tropeçar. Os sapatos estavam felizes porque, mesmo durante o dia, ficam quase sempre um ao lado do outro.
Essa situação durou um bom tempo. Infelizmente, como a sobrinha era manca, gastava mis um pé de sapato o que o outro.
Uma noite, a Tina disse ao Nicolau:
___ Estou sentindo que a minha sola está ficando fininha, logo vou furar!
___ Não faça isso! – disse Nicolau. _ Se jogarem a gente fora, vamos ficar separados outra vez!
___ Eu sei. –disse Tina. _ Mas o que você quer que eu faça? Não posso impedir de envelhecer!
De fato, oito dias depois a sola de Tina furou. A manca comprou um par de sapatos novos e jogou Tina e Nicolau na lata de lixo.
___ O que vai ser de nós? – perguntou Nicolau.
___ Não sei. _ disse Tina. - Eu só queria ter certeza de que nunca vou ficar sem você!
___ Chegue mais perto - falou Nicolau – e segure o meu cordão com o seu. Assim a gente fica junto.
Assim foi. Foram juntos para a lata de lixo, foram juntos para o caminhão de lixo e foram juntos, até o dia em que foram encontrados por um menino e uma menina.
___ Olha só! Esses sapatos! Estão de braço dado!
___ É que eles são casados – disse a menina.
___ Bom, já que eles são casados, vão fazer a viagem e lua de mel!
O menino pegou os sapatos e pregou um ao lado do outro, numa tábua. Depois pôs a tábua no rio e ela foi descendo, carregada pela natureza. Enquanto ela ia se afastando, a menina acenava com o lenço e gritava:
___Adeus, sapatos, e boa viagem!
Foi assim que Nicolau e Tina, que não esperava mais nada da vida. Tiveram uma viagem linda de lua de mel.

Contos da Rua Brocá – Editora Martins Fontes.



TEXTOS PARA SEGMENTAÇÃO DE PALAVRAS

CANTIGADERODA
OCRAVOBRIGOUCOMAROSA
DEBAIXODEUMASACADA.
OCRAVOSAIUFERIDO
EAROSADESPEDAÇADA.
OCRAVOFICOUDOENTE
AROSAFOIVISITAR.
OCRAVOTEVEUMDESMAIO
EAROSAPÔS-SEACHORAR.

CANTIGADERODA

AIBOTAAQUI,AIBOTAAQUI
OTEUPEZINHO
OTEUPEZINHOBEMJUNTINHO
COMOMEU
EDEPOISNÃOVÁDIZER
     QUEVOCÊJÁMEESQUECEU

 

CANTIGADERODA


ACANOAVIROU
PORDEIXÁ-LAVIRAR
FOIPORCAUSADOPEDRINHO
QUENÃOSOUBEBERRAR.
SEEUFOSSEUMPEIXINHO
ESOUBESSENADAR,
EUTIRAVAOPEDRINHO
DOFUNDODOMAR

------------------------------------------------------------------------------


CANTIGADERODA


ATIREIOPAUNOGATO
MASOGATONÃOMORREU
DONACHICAADMIROU-SE
DOBERRO,DOBERROQUEOGATODEUMIAU.

CANÇÃODERODAPOPULAR

 

SEESTARUAFOSSEMINHA

SEESTARUA,SEESTARUAFOSSEMINHA,
EUMANDAVA,EUMANDAVALADRILHAR,
COMPEDRINHAS,COMPEDRINHASDEBRILHANTES,
SÓPROMEU,SÓPROMEUAMORPASSAR.

SEESTARUA,SEESTARUAFOSSEMINHA,
EUMANDAVA,EUMANDAVAILUMINAR,
COMALUZ,COMALUZQUEEUROUBARIA,
DEUMANOITE,DEUMANOITEDELUAR.

SEEUROUBEI,SEEUROUBEITEUCORAÇÃO,
ÉPORQUE,ÉPORQUEROUBASTEOMEU.
SEEUROUBEI,SEEUROUBEITEUCORAÇÃO,
    ÉPORQUE,ÉPORQUETEQUEROBEM
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---------------------------------------------------------

CANTIGADERODA

 

CIRANDACIRANDINHA

CIRANDACIRANDINHA
VAMOSTODOSCIRANDAR
VAMOSDARAMEIA-VOLTA
VOLTAEMEIAVAMOSDAR

OANELQUETUMEDESTE
ERAVIDROESEQUEBROU
OAMORQUETUMETINHAS
ERAPOUCOESEACABOU
______________________________________

POEMA

CHATICE

JACARÉ,
LARGADOMEUPÉ,
DEIXADESERCHATO!
SEVOCÊTEMFOME,
ENTÃOVÊSECOME
SÓOMEUSAPATO,
LARGADOMEUPÉ
EVOLTAPROSEUMATO
JACARÉ!

JOSÉPAULOPAES

domingo, 26 de fevereiro de 2012

BIOGRAFIA DE ALFREDO VOLPI

           ALFREDO VOLPI NASCEU  EM LUCCA, NA ITÁLIA, EM 1896. FILHO DE IMIGRANTES CHEGOU AO BRASIL EM SÃO PAULO COM POUCO MAIS DE UM ANO DE IDADE. DESDE PEQUENO GOSTAVA DE MISTURAR TINTAS E CRIAR NOVAS CORES. ESSE TALENTO O LEVOU AOS 16 ANOS A TRABALHAR COMO PINTOR DE FRISOS, FLORÕES E PAINÉIS NAS PAREDES DAS MANSÕES PAULISTANAS. SEMPRE VALORIZOU O TRABALHO ARTESANAL, ONSTRUINDO SUAS PRÓPRIAS TELAS, PINCÉIS. AS TINTAS ERAM FEITAS COM PIGMENTOS NATURAIS, USANDO A TÉCNICA DE TÊMPERA. FOI UM AUTODIDATA. NUNCA ACREDITOU EM INSPIRAÇÃO. NÃO TEVE ACESSO AOS MESTRES EUROPEUS, COMO ERA COMUM NA ÉPOCA. TRATA-SE DE UM PINTOR ORIGINAL, QUE INVENTOU SOZINHO SUA PRÓPRIA LINGUAGEM.
AOS 16 ANOS PINTOU SUA PRIMEIRA AQUARELA. AOS 18 ANOS DE IDADE PINTOU SUA PRIMEIRA OBRA DE ARTE, SOBRE A TAMPA DE UMA CAIXA DE CHARUTOS, USANDO TINTA A ÓLEO.
EMBORA FOSSE DA MESMA GERAÇÃO DOS MODERNISTAS, VOLPI NÃO PARTICIPOU DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922.
EM 1927, VOLPI CONHECEU O SEU GRANDE AMOR: UMA GARÇONETE CHAMADA BENEDITA DA CONCEIÇÃO, APELIDADA DE JUDITH. É QUASE CERTO QUE JUDITH TENHA SIDO SUA MODELO PARA O QUADRO MULATA.
VOLPI TEVE UMA IDENTIDADE QUASE QUE FORÇADA COM A CIDADE DE ITANHAÉM: A DOENÇA DE SUA ESPOSA JUDITE, QUE A OBRIGOU PERMANECER TRÊS ANOS CONVALESCENDO NO ANTIGO HOTEL BALNEÁRIO. VOLPI DESCIA A SERRA NOS FINAIS DE SEMANA, PINTAVA, VOLTAVA A SÃO PAULO, VENDIA AS TELAS, AJUNTAVA O DINHEIRO E REPETIA O RITUAL. VOLPI REGISTROU MOMENTOS NO PANORAMA ITANHAENSE. AS OBRAS DE ITANHAÉM FORAM PINTADAS EM COMEÇO E MEADOS DA DÉCADA DE 40.
NOS ANOS 50, AS BANDEIRINHAS DAS FESTAS JUNINAS, DE MOGI DAS CRUZES, INTEGRARAM-SE ÀS SUAS FACHADAS. POSTERIORMENTE, DESTACOU-AS DO SEU CONTEXTO ORIGINAL. A PARTIR DA DÉCADA DE 60, SUAS PINTURAS SÃO JOGOS FORMAIS: TODOS OS TEMAS SÃO DEIXADOS DE LADO E AS BANDEIRINHAS PASSARAM A SER SIGNOS, FORMAS GEOMÉTRICAS. VOLPI MORREU AOS 92 ANOS, EM 1988, EM SÃO PAULO

FONTE:  www.mre.gov.br;  www.mac.usp.br; http://www.jblog.com.br/hojenahistoria. php?itemid=26914