Sequencia didática - Tarsila do Amaral

Sequencia didática - Tarsila do Amaral
SEQUENCIA DIDÁTICA TARSILA DO AMARAL -Releitura - 2010

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Produção de texto - Fábula

ESCOLA MUNICIPAL DOM MIGUEL FENELON CÂMARA
4º ANO B          PROFESSORA MARLI            DATA: ___/ ___/ ___
ALUNO (A):______________________________________

PRODUÇÃO DE TEXTO

OS PROVÉRBIOS SÃO SEMPRE FRASES CURTAS E POPULARES COM UM ENSINAMENTO MORAL. CRIE UMA FÁBULA EM QUE A MORAL DA HISTÓRIA SEJA O PROVÉRBIO “ A “UNIÃO FAZ A FORÇA”.
 LEMBRE-SE:
ü  A FÁBULA É UM TEXTO NARRATIVO ONDE AS PERSONAGENS QUASE SEMPRE SÃO ANIMAIS.
ü  ELA TRANSMITE COMO MENSAGEM ( MORAL DA HISTÓRIA).  UMA LIÇÃO QUE DEVE SER RELACIONADA AO COMPORTAMENTO HUMANO.
ü  O TEXTO DEVE CONTER A PONTUAÇÃO NECESSÁRIA E A ORGANIZAÇÃO DE PARÁGRAFOS.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

TRABALHO TEMÁTICO: PATATIVA DO ASSARÉ

ESCOLA MUNICIPAL DOM MIGUEL FENELON CÂMARA
1ª FASE       ANO LETIVO – 2012            PROFESSORA MARLI

TRABALHO TEMÁTICO A PARTIR DO POEMA “NORDESTINOS SIM, NORDESTINADOS, NÃO,” DE PATATIVA DO ASSARÉ.

JUSTIFICATIVA
Os alunos da 1ª Fase do ano letivo de 2012 são oriundos em sua maioria do interior do estado de Alagoas. Vieram para a capital entre 8 a 20 anos atrás em busca de melhores condições de sobrevivência. Não frequentaram a escola em sua infância por causa do trabalho na lavoura ou devido à longa distância da escola para a sua residência e devido a este contexto, retornam a escola. Atualmente trabalham como vendedores ambulantes, faxineiras, babá, porteiro, jardineiro, pedreiro, entre outros. Moram aos arredores da escola ( Chã da Jaqueira, Loteamento Jardim Petrópolis, Conjunto João Sampaio, encostas e grotas).
Percebe-se que apesar das dificuldades encontradas alguns demonstram vontade em aprender  e se empolgam, demonstram concentração e atenção às explicações em sala de aula. A partir daí, questionam, solicitam as intervenções da professora para executarem as atividades em todas as áreas do conhecimento. Esta postura é percebida em todos os níveis de aprendizagem, inclusive aqueles que tem algumas noções quanto a leitura e a escrita e tem dificuldades em seu processo de aprendizagem.
Neste contexto, conclui-se que estes alunos além da aquisição da leitura e da escrita necessitam de diversos saberes que possibilitem um olhar diferenciado de sua realidade. Este projeto surge  como instrumento pedagógico para sistematizar conhecimentos de diversas áreas e conduzir a identificação de nosso alunado como nordestino. Como ponto de partida o conceito da origem geográfica somando com os valores culturais próprios de um povo singular. E em consequência disso, desmitificar o senso comum onde remete à condição social sem perspectivas de mudanças e transformações.
Neste sentido, o poema de Patativa do Assaré,  “Nordestinos sim, nordestinados, não” proporciona momentos pedagógicos de reflexão para os nossos alunos de EJA e instiga a uma mudança de postura em sua ação na sociedade. Além disso, partindo dele é possível tecer várias áreas do saber que foi construído ao longo do tempo.

PÚBLICO ALVO
Esta turma é composta de 28 alunos matriculados, mas, cerca de 20 estão frequentando e destes 12 a cada dia de aula. Tem como idade uma faixa entre 17 a  59 anos. Destas duas alunas são especiais, sendo uma delas surda- muda.

OBJETIVO GERAL
Possibilitar a identificação do aluno como ser histórico no espaço geográfico brasileiro valorizando sua identidade cultural.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
ü  Conhecer a biografia de Patativa do Assaré e sua sensibilidade ao contexto nordestino.
ü  Discutir as características textuais de um poema.
ü  Interpretar os poemas do projeto.
ü  Analisar estrofes dos poemas com a realidade nordestina.
ü  Perceber as diferenças entre espaço geográfico urbano e espaço geográfico rural.
ü  Conhecer a linha do tempo.
ü  Identificar-se como um ser histórico na linha do tempo.
ü  Formular hipótese de perspectivas a partir dos slides Zoom.
ü  Perceber as características cartográficas de um mapa.
ü  Colorir diferentemente os estados políticos do Brasil.
ü  Distinguir as regiões geográficas do Brasil.
ü  Pintar o mapa de Alagoas destacando-o da Região Nordeste.
ü  Localizar no mapa de Alagoas a cidade de origem do aluno.
ü  Estabelecer relação entre o real e a linguagem cartográfica.
ü  Construir a maquete da sala de aula.
ü  Traçar o croqui da maquete da sala de aula com plástico filme.
ü  Especificar a localização do aluno na sala de aula em relação de seus colegas.
ü  Esquematizar coletivamente a planta baixa da sala de aula.
ü  Conhecer a biografia de Cândido Portinari e sua contribuição no campo da Arte.
ü  Comentar as características dos personagens presentes nas telas da série Retirantes de Cândido Portinari com o êxodo nordestino.
ü  Compreender as condições socioeconômicas do período do Cangaço.
ü  Elaborar uma releitura da tela Cangaceiro de Portinari.

ÁREAS DO CONHECIMENTO
ü  Língua Portuguesa
ü  Matemática
ü  História
ü  Geografia
ü  Ciências
ü  Arte
ü  Sociedade e Cultura

METODOLOGIA
Serão utilizados mecanismos metodológicos tais como: textos informativos, poesias, interpretação oral, discussão, documentário, slides, telas de Cândido Portinari, produções individuais de releituras de uma das obras de Portinari, trabalhos individuais e em grupo, socialização, entre outros.

AVALIAÇÃO
Será somativa e formativa ao abordar as áreas do conhecimento com o objetivo a formação do homem nos aspectos históricos, geográficos, culturais, crítico-social, entre outros. Também será observada durante todo o processo de aprendizagem a criatividade, a participação, o questionamento, o respeito às diferenças e as diversidades e a mudança de postura em sua visão como ser histórico e geográfico.

TEMPO PREVISTO
Um semestre.

CULMINÂNCIA
Exposição dos trabalhos individuais e em grupo produzidos neste projeto.

ATIVIDADES PROGRAMADAS

1º DIA: Biografia de Patativa do Assaré. Leitura compartilhada e vídeo. Interpretação oral.

2º DIA: Poema: Nordestinos sim, nordestinados não, de patativa do Assaré. Papel madeira. Mural da sala de aula. Leitura compartilhada. Interpretação oral e discussão de algumas estrofes.

3º DIA: Retomada do poema de Patativa do Assaré. Compreensão das características estruturais de um poema (versos, estrofes, rimas, entre outros). Discussão de outra estrofe relacionada com o tema social nordestino.

4º DIA: Poema: Cidadezinha qualquer, de Carlos Drummond de Andrade. Poema xerocado e no painel da sala de aula. Interpretação oral. Discussão sobre a intencionalidade do poeta ao caracterizar o espaço geográfico rural.

5º DIA: Retomada do poema de Carlos Drummond de Andrade. Recorte, colagem e escrita de cenas relacionadas ao poema trabalhado. Trabalho em grupo. Painel da sala de aula.

6º DIA: Retomada dos dois poemas trabalhados e relacionar com espaços geográficos rural e urbano. Identificação das diferenças. Recorte, colagem e escrita. Socialização.

7º DIA: A influência do homem na transformação do meio ambiente. Tipos de poluição (no ar, solo, água, sonora e visual). Recorte, colagem e escrita. Painel da sala de aula.

8º DIA: Poema: O açúcar, de Ferreira Gullar. Leitura compartilhada. Interpretação oral. Discussão relacionando com a realiada do estado de Alagoas. Fator socioeconômico. Estudo gramatical: letra ç e sílabas. Trabalho individual e coletivo.

9º DIA: A linha do tempo. Explanação do contexto histórico. Produção da linha do tempo do aluno e dos colegas da sala de aula. Demarcação de cinco em cinco anos. Demarcação do ano atual e dos de nascimento dos alunos presentes na aula. Trabalho coletivo.

10º DIA: Slides do livro Zoom. Compreensão de perspectivas de um foco e seu distanciamento.

11º DIA: Noções de cartografia. Mapa mundi. Explanação. Pintura de um planisfério com duas cores (azul para água e marrom para terra). Trabalho individual.

12º DIA: Mapa do Brasil. Explanação. Perceber a distinção dos estados políticos representados com cores diferentes. Pintura com cores diferentes distinguindo os estados brasileiros no mapa do Brasil. Trabalho individual.

13º DIA: Mapa das Regiões do Brasil. Explanação. Perceber a distinção das Regiões Brasileiras representadas com cores diferentes. Pintura com cores diferentes distinguindo as regiões brasileiras no mapa do Brasil. Trabalho individual.

14º DIA: Mapa da Região Nordeste. Explanação. Perceber a distinção dos estados políticos representados com cores diferentes da Região Nordeste. Pintura com uma cor diferente o estado de Alagoas distinguindo dos demais estados da região Nordeste. Trabalho individual.

15º DIA: Mapa de Alagoas. Localizar com alfinete colorido a cidade de origem do aluno. Socialização. Painel na sala de aula.

14º DIA: Construção da maquete da sala de aula com sucata. Trabalho em dupla. Demarcação do croqui da sala de aula em plástico filme. Discussão deste croqui com o desenho cartográfico de um mapa. Socialização dos trabalhos.

16º DIA: Planta baixa da sala de aula. Localização individual, dos colegas presentes na aula e cadeiras vazias. Percepção de lateralidade. Uso de legenda. Trabalho individual. Socialização.

17º DIA: Planta baixa da sala de aula em papel madeira. Organização de espaços, distribuição dos móveis e localização do aluno e dos colegas. Trabalho em grupo. Socialização.

18º DIA: Biografia de Cândido Portinari. Leitura compartilhada e interpretação oral.

19º DIA: Documentário Imaginário Portinari. Discussão a partir do vídeo assistido. Destaque da sensibilidade de Portinari para o contexto socioeconômico abordado em suas telas.

20º DIA: Slides das telas de Cândido Portinari. Exposição das séries do artista, mas tendo como foco as séries Retirantes e Cangaceiros. Êxodo rural. Contexto histórico deste período.

21º DIA: Releitura da Tela Cangaceiro de Cândido Portinari. Trabalho individual com pintura, recorte e colagem. Socialização.

22º DIA: Exposição dos trabalhos produzidos durante o processo do projeto.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TRAVA-LÍNGUAS


ALÔ, O TATU TAÍ?
NÃO, O TATU NÃO TÁ.
MAS A MULHER DO TATU TANDO,
É O MESMO QUE O TATU TÁ.

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EMBAIXO DA PIA
TEM UM PINTO QUE PIA
QUANTO MAIS A PIA PINGA
MAIS O PINTO PIA.

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CANTIGAS DE RODA


A CANOA VIROU

A CANOA VIROU,
VOU DEIXÁ-LA VIRAR
FOI POR CAUSA DA MENINA
QUE NÃO SOUBE REMAR.

SE EU FOSSE UM PEIXINHO
E SOUBESSE NADAR.
EU TIRAVA A MENINA
LÁ DO FUNDO DO MAR.

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ESCRAVOS DE JÓ

ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ
TIRA, PÕE, NÃO DEIXA FICAR...
GUERREIROS COM GUERREIROS FAZEM ZIGUE-ZIGUEZAGUE;
GUERREIROS COM GUERREIROS FAZEM ZIGUE-ZIGUEZAGUE.

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CARNEIRINHO, CARNEIRÃO

CARNEIRINHO, CARNEIRÃO, NEIRÃO, NEIRÃO
OLHAI PRO CÉU
OLHAI PRO CHÃO, PRO CHÃO, PRO CHÃO,
MANDA O REI DE PORTUGAL
PARA NÓS NOS SENTARMOS.

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O SAPO

O SAPO NÃO LAVA O PÉ!
NÃO LAVA PORQUE NÃO QUER,
ELE MORA LÁ NA LAGOA,
NÃO LAVA O PÉ,
PORQUE NÃO QUER,
MAS QUE CHULÉ!
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SAPO CURURU

SAPO CURURU NA BEIRA DO RIO
QUANDO O SAPO CANTA, MORENA,
É QUE ESTÁ COM FRIO!
QUANDO O SAPO CANTA,
É QUE ESTÁ COM FRIO!

A MULHER DO SAPO
DIZ QUE ESTÁ LÁ DENTRO
FAZENDO RENDINHA, MANINHA,
PRO SEU CASAMENTO!
FAZENDO RENDINHA, MANINHA.
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JACARÉ

JACARÉ ESTÁ PASSEANDO NA LAGOA,
JACARÉ PASSEANDO NA LAGOA.
VIU UM PEIXINHO
ABRIU A BOQUINHA E...
NHAC!
COMEU O PEIXINHO!
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A CANOA VIROU

A CANOA VIROU,
VOU DEIXÁ-LA VIRAR
FOI POR CAUSA DA MENINA
QUE NÃO SOUBE REMAR.

SE EU FOSSE UM PEIXINHO
E SOUBESSE NADAR.
EU TIRAVA A MENINA
LÁ DO FUNDO DO MAR.
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NESTA RUA

SE ESTA RUA, SE ESTA RUA FOSSE MINHA
EU MANDAVA, EU MANDAVA LADRILHAR
COM PEDRINHAS, COM PEDRINHAS DE BRILHANTE
PARA O MEU, PARA O MEU AMOR PASSAR.

NESTA RUA, NESTA RUA, TEM UM BOSQUE
QUE SE CHAMA, QUE SE CHAMA, SOLIDÃO
DENTRO DELE, DENTRO DELE MORA UM ANJO
QUE ROUBOU, QUE ROUBOU MEU CORAÇÃO.

SE EU ROUBEI, SE EU ROUBEI SEU CORAÇÃO
É PORQUE TU ROUBASTES O MEU
SE EU ROUBEI, SE EU ROUBEI TEU CORAÇÃO
É PORQUE EU TE QUERO TANTO BEM.
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PARLENDAS


LÁ NA RUA VINTE E QUATRO
A MULHER MATOU UM SAPO
COM A SOLA DO SAPATO,
O SAPATO ESTREMECEU
A MULHER MORREU.

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A CORUJA

FUI À FEIRA COMPRAR UVA
ENCONTREI UMA CORUJA
PISEI NO RABO DELA
ME CHAMOU DE CARA SUJA.

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CASINHA DE BAMBUÊ

CASINHA DE BAMBUÊ
CERCADA DE BAMBUÁ
MARIA FOI À FEIRA
PARA VER O QUE QUE HÁ.

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PINGUELINHA

FUI PASSAR NA PINGUELINHA
CHINELINHO CAI DO PÉ.
OS PEIXINHOS RECLAMARAM:
QUE CHEIRINHO DE CHULÉ!

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Cidadezinha qualquer - Carlos Drummond de Andrade


CASAS ENTRE BANANEIRAS
MULHERES ENTRE LARANJEIRAS
POMAR AMOR CANTAR.

UM HOMEM VAI DEVAGAR.
UM CACHORRO VAI DEVAGAR.
UM BURRO VAI DEVAGAR.
DEVAGAR... AS JANELAS OLHAM.

ETA VIDA BESTA, MEU DEUS.
 

 Livro:  ALGUMA POESIA (1930)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Leitura de fruição: ASA CURTA

            Asa curta era um passarinho já muito velho,  mas que ainda não sabia voar. Ela tinha aprendido, em seus oito anos de vida, muita coisa que nenhum passarinho havia aprendido antes. Asa Curta sabia ler, dançar desde o tango  argentino até a dança-do-bico-pro-ar.
            Havia ainda muita coisa mais que Asa Curta fazia, diferente de tudo quanto os outros passarinhos sabiam fazer: dava cambalhota como gente de circo, levantava galho de árvore com uma pata só. Imitava voz de homem e de mulher, assobiava comendo alpiste. Ele era um grande artista.
            Ele vivia triste, pois de que adiantava fazer tudo isso, senão sabia fazer o que mais novo e o mais analfabeto dos passarinhos de qualquer floresta  ou de qualquer cidade era capaz de fazer?
            Sua tristeza ainda era  maior quando seus amigos chegavam de viagem. Um dia era o Pardal Ambulante, que tinha visitado a Argentina e corria logo para contar a Asa Curta:
            __ Mas é impressionante, companheiro, como é que o povo lá dança tango igualzinho você sabe dançar!
            No outro dia era o Pica-pau “Leva-e-Traz”, que tinha ido até a Rússia vender pau-brasil e comprar madeira russa pros pica-paus brasileiros.
            __ Nossa,  Asa Curta, eu vi o pessoal dançando na rua como você.
            Ele morria de vontade de ver como é que cada povo dançava a sua dança, mas não podia chegar a  lugar nenhum só andando. Quando os outros passarinhos lhe perguntavam porque ele não viajava também, Asa Curta, com cara muito triste, saía sempre com desculpas:
            __ Eu já estou velho, não agüento mais essas viagens. Já viajei muito quando era moço, aprendi muita coisa. Agora prefiro ficar por aqui mesmo.
            Um dia, Asa Curta começou a pensar em tudo quanto sabia e ficou admirado com a sua sabedoria. Ele descobriu que, mesmo sem voar, ele conhecia mais coisas e lugares do que todos os outros passarinhos. Enquanto os outros usavam as asas e os olhos para conhecer o mundo e as pessoas, ele usava a inteligência e a memória.
            Deste dia em diante, Asa Curta passou a ser também o passarinho mais feliz da redondeza.
                        
                           Gilberto Mansur

                           In: Asa Curta, São Paulo, Ed. Vertente

Leitura de fruição: OS QUATRO ALUNOS


Uma fábula sobre as diferentes maneiras de ser estudante, escrita por um aluno.

Esta é uma história que se passa em qualquer escola, com qualquer aluno, comigo, com você...
Eram quatro rapazes que estudavam numa escola em uma mesma classe: Arrependido, Falso, Mínimo e Quero-tentar.
Arrependido era um rapaz desanimado com os estudos, não fazia nada na sala de aula e muito menos os deveres de casa. Não pensava no seu futuro e vivia achando que estava perdendo tempo naquela escola e por isso arrependia-se por não poder ficar pelas ruas com seus colegas. Por não gostar de estudar, tirava notas baixas.
Falso era um cara mentiroso e um pouco preguiçoso para com os estudos. Ou copiava de alguém ou falsificava o que fazia; na realidade mesmo, nada fazia e era tão falso quanto sua nota – apesar de ser razoável – pois tudo o que precisava era “colar” ou confiar no amigo na hora da avaliação, raramente isso falhava.
Mínimo era um rapaz que não pensava em ir muito longe, para este o que importava era conseguir uma nota que o aprovasse, portanto estudava pouco, mas não “colava” nas avaliações e não passava disso, 60% era o bastante e contentava-se com este mínimo. Sempre tinha um pensamento”tenho boas notas porque não perdi nenhuma”.
Quer-tentar gostava do que fazia. Quando lhe apresentavam algo novo, um problema que ele não soubesse, ele dizia “vou tentar resolvê-lo” e quase sempre conseguia mesmo. Não era nem mais, nem menos inteligente do que os outros, mas tinha força de vontade. Suas notas eram boas, porém, não estudava para tirar notas e sim para ficar sabendo. Este era aluno todos os dias e sua persistência o ajudava a vencer.
Assim, Quero-tentar era o primeiro da classe. Em termos de aprendizagem, Mínimo era o penúltimo, Falso era o último, pois só tinha nota e não sabia nada, e Arrependido abandonou a escola.
Hoje, todos já são homens feitos e cada um teve seu destino:
Arrependido mora numa grande favela chamada Tarde- demais.
Falso queria ser político, mas foi infeliz porque descobriram sua falsidade; foi julgado e condenado por um juiz chamado Verdade.
Mínimo, com seu conhecimento mínimo, é soldado mínimo das Forças Armadas, ganha um salário mínimo e tem um comandante muito exigente chamado Máximo que sempre lhe cobra 100%.
Quero-tentar se saiu melhor e hoje é presidente de um país chamado “República Democrática dos Sucessos”.

Texto produzido por Marcos José Ferreira.
Aluno do 2º Técnico ‘B’ da E.E. Professor Cândido Gomes. ( Alvinópolis – MG)

Fonte: Amae Educando. Abril de 1996. Nº 258. Página 42.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEXTO DE FRUIÇÃO - O desafio de Lilibel

                                                             Lúcia Tulchinski

Quando o professor de matemática veio com aquela história de Campeonato de Tabuada, Lilibel desconfiou que estivesse em apuros. As perguntas seriam orais e venceria quem acertasse o maior número de respostas. O problema não era a matemática e, sim, um medo guardado a sete chaves. Um gigante invisível que a acompanhava de segunda a sexta-feira em todas as horas do dia. O medo de Lilibel chamava-se timidez. Ela preferia fazer dez provas bem difíceis a participar daquela competição. O campeonato começaria logo na primeira aula do dia seguinte.
Lilibel dormiu muito mal naquela noite. Teve pesadelos cheios de números. Todas as tabuadas estavam na ponta da língua, mas o medo de falar em público não saia de sua cabeça. Medo  X  Medo era igual a muito medo.
As preces de Lilibel para que o professor ficasse doente não foram atendidas. Lá estava ele, com o maior sorriso no rosto, pronto para começar o campeonato de Tabuada. Logo, os nomes começaram a ser chamados. Primeiro foi o Carlinhos, depois o Heitor, a Joana, a Laís. Foi então que ela ouviu o seu nome: - Lilibel, é a sua vez. Quanto é quatro vezes seis? Ela sabia que a resposta certa era 24, mas perdeu a fala e os seus primeiros pontos.
No recreio, Lilibel foi chorar no banheiro. Lá estava Tate, sua melhor amiga, que também tinha lá os seus medos.
 __ Lilibel, não chore, você só precisa criar coragem. A primeira vez que derrotar o medo, ele vai embora para sempre.
Dois dias depois, começou a segunda etapa da competição. O primeiro a ser chamado foi o Joaquim. A pergunta era: - quanto é nove  x  sete? O aluno errou a resposta. Lilibel sentiu que chegara a hora de dar uma rasteira no medo e, tremendo, levantou o braço.
__ Pode responder Lilibel – disse o professor.
Os olhos de todos os colegas de classe voltaram-se surpresos para ela, que, com a voz trêmula disse: - Ses ...sen...ta e  tr ..ês.
__ Resposta certa! Ponto para Lilibel.
Tate não se conteve e gritou:
__ É isso aí, garota!
Lilibel sentia-se leve como uma pluma. Tinha vontade de abraçar o mundo inteiro. Para ela, aquela era uma grande vitória. De repente, um bilhete aterrizou em sua carteira. Nele estava escrito:
“Lilibel, você tem uma voz muito bonita. Zeca”.
Com o rosto queimando feito brasa, Lilibel sorriu para o Zeca. Ele também estava vermelho como pimenta-malagueta. E sorria.

Projeto Alfredo Volpi

Escola Municipal Dom Miguel Fenelon Câmara

Projeto Pedagógico Alfredo Volpi

4º ano B - 2012

Professora Marli

“A gente se desliga e então só passa a existir o problema da linha, forma e cor. Minhas bandeirinhas não são bandeirinhas; são só o problema das bandeirinhas".

Alfredo Volpi



JUSTIFICATIVA

A Arte está em nosso cotidiano e deve ser um dos modos do homem refletir com o seu olhar, a sua sensibilidade ao que ocorre ao seu redor. Por outro lado, o outro deve perceber esta intenção do artista por apreciar sua obra e refletir sobre as mudanças ambientais, culturais, físicas, emocionais ou psicológicas que o homem pode ocasionar a si e a outros  no seu meio. Esta intencionalidade deve ser explorada na escola, especificamente na sala de aula pelo professor em administrar suas aulas de Arte.
Estes aspectos são contemplados ao estudar artistas com Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Romero Britto, entre outros. Este projeto propõe sistematizar um trabalho pedagógico transversal com o artista plástico Alfredo Volpi uma vez que o seu perfil artístico e pessoal possibilita interligar áreas do conhecimentos, tais como História (Imigração), Geografia (mudanças do espaço geográfico, influências culturais), Arte ( técnicas: linhas, pontos, cores), Matemática (Geometria), entre outros que são próprias do 4º ano no Ensino Fundamental.
A obra de Alfredo Volpi em sua fase mais conhecida explora a Geometria, a qual possibilita desenvolver situações pedagógicas em que o aluno irá compreender o vocabulário específico da Geometria. Em consequência desta observação de obras do artista, o educando irá perceber, relacionar e identificar estas formas geométricas, bem como com a harmonia das cores com o mundo que o rodeia. Além disso, proporciona atividades que irão desenvolver a observação. coordenação motora fina, concentração, entre outros ao recortar, colar, dobrar, medir, comparar, delimitar  com diversos materiais.
Além desse contexto, intenciona-se resgatar os valores culturais, morais e éticos necessários para uma boa convivência em sociedade. Bem como expor aos alunos a variação e a diversificação da expressão artística em todos os segmentos da sociedade é possível e devem ser respeitada por todos. Convém ressaltar  que este ano letivo foi trabalhado o Projeto Pintura Abstrata e Pintura Figurativa e dessa forma este projeto tende a ampliar a apreciação e a reflexão na obra de Volpi e estender este olhar para o mundo que o cerca.

PÚBLICO ALVO:    
          Trinta alunos do 4º ano B.

OBJETIVO GERAL
Desenvolver a sensibilidade e criatividade ao perceber o mundo que o rodeia e transportá-las em suas peças artísticas ou do outro.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
ü  Comparar a realidade social de nossos dias com a da infância e vida adulta do artista e perceber que há possibilidade de alterar ou conviver com este quadro.
ü  Identificar a intencionalidade do artista ao relacionar o nome dado e a própria produção artística.
ü  Localizar os destaques dados às cores primárias e secundárias utilizadas por Alfredo Volpi em suas obras.
ü  Notar os valores éticos abordados nas obras trabalhadas e perceber que são importantes na convivência dos seres humanos em sociedade.
ü  Aperfeiçoar a coordenação motora fina por meio das produções deste projeto.
ü  Explorar os conceitos geométricos contemplados nas telas do artista.
ü  Despertar um olhar observador no mundo identificando as suas formas geométricas contidas em seus aspectos físicos.
ü  Perceber as características das festividades culturais do povo brasileiro.
ü  Identificar as mudanças das cidades retratadas por Volpi com o passar do tempo.
ü  Reconhecer as diferenças das arquiteturas abordadas nas telas deste projeto.
ü  Perceber a diversidade de materiais que possibilitam a expressão artística.
ü  Valorizar o seu trabalho e do outro como uma variação ou releitura de uma obra de Alfredo Volpi.

ÁREAS DO CONHECIMENTO:
ü  Arte
ü  Língua Portuguesa
ü  Matemática
ü  Geografia
ü  História                                      
ü  Sociedade e Cultura
ü  Ética
ü  Pluralidade Cultural

METODOLOGIA
As ações metodológicas utilizados neste projeto pedagógico serão: leitura compartilhada, textos informativos, discussão, slides das telas e fotos de Alfredo Volpi, produções individuais de releituras de algumas obras com tinta guache, lápis de cor, recorte e colagem. Socialização, entre outros.

AVALIAÇÃO
Será somativa e formativa diante das áreas do conhecimento abordadas neste trabalho pedagógico, bem como pela participação individual ou coletiva do aluno, a criatividade, o respeito às diferenças e diversidades durante todo o processo de aprendizagem.

TEMPO PREVISTO
Dois bimestres.

CULMINÂNCIA
Socialização das atividades produzidas pelos alunos para a família e comunidade escolar.                                  

ATIVIDADES PROGRAMADAS

1º DIA: Biografia de Alfredo Volpi. Leitura individual e compartilhada. Interpretação oral. Identificação das palavras desconhecidas. Uso do dicionário. Trabalho em dupla. Socialização.

2º DIA: Projeção de slides. Obras e fotos de Alfredo Volpi. Análise das fases do artista plástico.

3º DIA: Soltando as pipas. Descobrindo as cores secundárias com lápis de cor ou giz cera. Trabalho individual.

 4º DIA: Tela: Barco com bandeirinhas e pássaros. Interpretação da tela ( cores, movimento, iluminação, primeiro e segundo planos). Releitura com lápis de cor ou giz cera e colagem. Trabalho individual.

5º DIA: Tela: Sem título. Interpretação oral (cores, movimento, iluminação, primeiro e segundo planos). Releitura com lápis de cor ou giz cera e colagem. Trabalho individual.

6º DIA: Tela: Grande Fachada Festiva. Releitura com recorte, colagem, pintura com lápis de cor  e giz cera. Trabalho individual. Socialização.

E 8º DIA: Tela: Bandeirinhas. Releitura. Papel 40 kg. Base com tinta guache. Recorte e colagem das bandeirinhas de revistas com gravuras coloridas. Socialização.

E 10º DIA: Tela: Bandeirinhas. Releitura. Papel 40 kg. Base com tinta guache. Recorte e colagem de retalhos de tecidos. Socialização.


11º E 12º DIA: Tela: Casario em Santos. Trabalho em dupla. Entregar uma parte fragmentada da obra para cada dupla. Completar como imaginam que é a tela. Socialização dos trabalhos realizados em comparação da tela do artista.


13º E 14º DIA: Releitura em papel 40 kg de uma das telas trabalhadas neste projeto a escolha do aluno, bem como uma ou mais técnicas: tinta guache, lápis de cor, giz cera, recorte ou colagem.


15º DIA: Socialização dos trabalhos desenvolvidos no projeto para a comunidade escolar e familiar.